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quarta-feira, 11 de março de 2015

Grandes navegações: a vida dura dos marujos



Lisboa, final do século XV. Na praia ribeirinha, estendia-se a Ribeira das Naus, com suas oficinas e seus barcos prestes a ser lançados ao Tejo. Ao longo dela, instalavam-se os malcozinhados, pequenas tabernas fumacentas nas quais se reuniam marinheiros, prostitutas, escravos e trabalhadores braçais pobres para consumir sardinhas fritas e vinho barato. Nas águas turvas e calmas do rio desfilavam tanto embarcações transportando alimentos dos arredores, quanto barcos enfeitados, nos quais músicos embalavam a conversa dos bem-vestidos membros da Corte de d. Manuel I.
No porto, tremulavam naus mercantes vindas de Gênova, Veneza, Normandia, Bristol ou de Flandres. Em terra, prontos para embarcar nas caravelas que fariam a Carreira das Índias, aglomeravam-se marujos acostumados àquele tipo de vida, além de “vadios e desobrigados” recrutados pelas ruas de outras cidades.
Quem era essa gente que mudaria o mundo? As tripulações apresentavam, desde o século XV, um leque de marinheiros de idiomas e origens diferentes. Entre os portugueses, era comum a presença de escravos negros. Quando estenderam suas campanhas ao Norte da África, os lusos procuravam quem falasse árabe ou recrutavam intérpretes capazes de se comunicar com os mouros. No imaginário da época, esses marinheiros eram vistos como “criminosos da pior espécie”, cujas penas por decapitação ou enforcamento podiam ser comutadas pelo serviço marítimo. Os testemunhos eram de que quase todos os tripulantes dos navios eram “adúlteros, malsins, alcoviteiros, ladrões, homens que acutilam e matam por dinheiro e outros de semelhante raça”. Muitas prostitutas subiam a bordo de forma clandestina, enganadas pela marujada, embarcadas por magistrados portugueses ou soldados.
Quando uma dessas passageiras era encontrada, deixavam-na no porto seguinte ou a isolavam da tripulação. Os pobres embarcados dependiam da generosidade de um capelão para arranjar-lhes roupas com as quais pudessem se cobrir. Outros procuravam um capitão rico, capaz de provê-los de “vestidos e camisas bastantes” para os meses que ficavam longe da terra natal. Esses marinheiros, geralmente, portavam calções compridos e volumosos a fim de não atrapalhar os movimentos exigidos pelas manobras de navegação. Os calções eram amarrados à cintura por cordões e complementavam-se com o schaube, um sobretudo em forma de batina, sem mangas. Pequenas – cerca de vinte metros de comprimento –, ágeis, capazes de avançar em zigue-zague contra o vento e dotadas de artilharia pesada, as caravelas eram consideradas os melhores veleiros a navegar em alto-mar. Mas, apesar de a embarcação ser boa, o cotidiano das viagens ultramarinas não era fácil. A precária higiene a bordo começava pelo espaço restrito que era utilizado pelos passageiros. Inicialmente de apenas um convés, as caravelas tendem a crescer. Em uma nau de três conveses ou pavimentos, dois eram utilizados para a carga da Coroa, dos mercadores e dos passageiros. O terceiro era ocupado em sua maior parte pelo armazenamento de água, vinho, madeira e outros objetos úteis. Nos “castelos” das embarcações encontravam-se as câmaras dos oficiais – capitão, mestre, piloto, feitor, escrivão – e dos marinheiros, armazenando-se, no mesmo local, pólvora, biscoitos, velas, panos, etc.
O banho a bordo era impossível. Além de não existir este hábito de higiene, a água potável era destinada ao consumo e ao preparo de alimentos. Nas pessoas e na comida, proliferavam todos os tipos de parasitas: piolhos, pulgas e percevejos. Confinados em cubículos, passageiros satisfaziam as necessidades fisiológicas, vomitavam ou escarravam próximos de quem comia. Por isso mesmo, costumava-se embarcar alguns litros de água-de-flor, destinada a disfarçar os odores nauseantes, além de ervas aromáticas, queimadas com a mesma finalidade. Em meio ao constante mau cheiro e associado ao balanço natural, o enjoamento era constante. A má higiene a bordo costumava contaminar os alimentos e a água embarcada. Os fluxos de ventre, para os quais não havia cura, ceifavam rapidamente indivíduos já desidratados e desnutridos.
A alimentação durante as longas viagens sempre foi um problema para a Coroa. A falta habitual de víveres em Portugal impedia que os navios fossem abastecidos com a quantidade suficiente de alimentos. O Armazém Real, encarregado do fornecimento, com certa frequência simplesmente deixava de fazê-lo. A fome crônica e a debilidade física colaboravam para a morte de uma parcela importante dos marinheiros. Em Memórias de um soldado na Índia, Francisco Rodrigues Silveira relatava, queixoso, que eram raros os “soldados que escapam das corrupções das gengivas [o temido escorbuto, doença causada pela falta de vitamina C], febres, fluxos do ventre e outra grande cópia de enfermidades…”. Além de escassos, os alimentos muitas vezes estragavam antes mesmo de começar a viagem. Armazenados em porões úmidos, se sobreviviam ao embarque, apodreciam rapidamente ao longo da jornada.
O rol dos mantimentos costumava incluir biscoitos, carne salgada, peixe seco (principalmente bacalhau salgado), banha, lentilhas, arroz, favas, cebolas, alho, sal, azeite, vinagre, mel, passas, trigo, vinho e água. Nem todos os presentes tinham acesso aos víveres, controlados rigorosamente por um despenseiro ou pelo próprio capitão. Oficiais mais graduados ficavam com os produtos que estivessem em melhores condições, muitas vezes vendendo-os numa espécie de mercado negro a outros viajantes famintos. Grumetes e marinheiros pobres eram obrigados a consumir “biscoito todo podre de baratas, e com bolor mui fedorento e fétido”, entre outros alimentos em adiantado estado de decomposição. Mel e passas eram oferecidos aos doentes da tripulação nobre. Febres altas e delírios, que costumavam atingir muitos dos tripulantes, decorriam da ingestão de carnes excessivamente salgadas e podres regadas a vinho avinagrado. Nas calmarias, quando a nau poderia ficar horas ou dias sem se mover, sob o calor tórrido dos trópicos, os marinheiros famintos ingeriam de tudo: sola de sapatos, couro dos baús, papéis, biscoitos repletos de larvas de insetos, ratos, animais mortos e mesmo carne humana. Muitos matavam a sede com a própria urina.
Outros preferiam o suicídio a morrer de sede. Na realidade, a dramática situação dos navegadores não diferia muito da enfrentada pelos camponeses em terra firme. Um trabalhador que cavasse de sol a sol, sete dias por semana, não ganhava mais do que dois tostões por dia. A quantia mal lhe permitia comprar alguns pedaços de pão. O que dizer do sustento de famílias inteiras, sem alimentos ou vestimentas? Um grande número de camponeses pobres preferia fugir da fome enfrentando os riscos do mar, mesmo conhecendo as privações a que seriam submetidos na Carreira das Índias.  
 Mary del Priore - História Hoje - Site: aqui



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Prostitutas não hesitavam em recorrer a policiais e advogados quando enganadas por clientes

Prostituta no início do século XX. Gregas, inglesas ou brasileira, as prostitutas recorriam à polícia em busca de reparação pelas injustiças sofridas.



 Justiça da luxúria

Prostitutas não hesitavam em recorrer a policiais e advogados quando enganadas por clientes

Marina Maria de Lira Rocha*

Helena Petro era uma prostituta grega de 26 anos que vivia na Rua da Conceição, no Centro do Rio de Janeiro. O ano é 1908, quando a circulação de notas falsas de dinheiro era comum no país. Ao tentar trocar num botequim uma cédula de 50 mil-réis que recebera por seus serviços, Helena descobriu que fora enganada por um cliente. Sem titubear, levou o culpado à delegacia para denunciá-lo por pagar com dinheiro falso.
Pode parecer estranho uma prostituta recorrer justamente à polícia – que normalmente é associada à repressão a essa atividade – para receber seu pagamento, mas o Arquivo da Justiça do Rio prova que isso aconteceu com frequência nas zonas de meretrício da cidade entre 1907 e 1917.
Geralmente tratados pelos agentes do Estado como perturbadores da ordem, os que viviam da prostituição também sabiam usar a legislação quando tinham seus direitos violados. Os cafetões, que ganhavam dinheiro explorando a prostituição, costumavam recorrer à lei para se defender quando ameaçados. Mas, enquanto as prostitutas iam à delegacia para denunciar os maus pagadores, os que viviam do lenocínio (exploração de pessoas para fins sexuais), a maioria cidadãos estrangeiros, iam atrás de advogados para ajudá-los quando eram presos. Dessa forma, a estrutura repressiva criada pela elite, representada pela polícia e pela Justiça, acabava servindo também para defender os interesses dessas “profissões” excluídas.
Nos processos do Rio, as mulheres que vendiam o corpo tinham, em geral, entre 25 e 30 anos; eram, na maioria, estrangeiras e não escondiam de onde tiravam seu sustento. Pediam pagamento adiantado e costumavam levar o cliente à polícia se desconfiassem que ele estava dando uma nota falsa.
A prostituta inglesa Clara Double é um exemplo. Após receber uma nota de 50 mil-réis do cliente português José de Almeida, perguntou a dois amigos que bebiam cerveja na Rua Senador Dantas – uma prostituta russa e um negociante português – se a cédula era verdadeira. O trio se dirigiu ao Café Avenida, onde constatou que se tratava de dinheiro falso. O passo seguinte foi levar o cliente à delegacia.
Incidentes como esse resultavam em processos de sumário-crime, instrumento aplicado nos casos de uso de moeda falsa como atentado à fé pública. A punição prevista no Código Penal de 1890 era de um a quatro anos de prisão pela fabricação de dinheiro falso e de dois a quatro por sua introdução e circulação.
No entanto, a maioria dos crimes ficava impune por falta de provas sobre a intenção do denunciado de pagar com cédula falsa. Dificilmente algum acusado confessava que sabia da falsificação. Foi o que aconteceu com o português José de Almeida. O juiz Olympio de Sá Albuquerque o absolveu argumentando que era um indivíduo ignorante e analfabeto. Sua
intenção ao passar a nota falsa, a única que tinha no bolso naquele momento, seria apenas a de impressionar a prostituta pagando um valor muito superior ao acertado entre os dois.
Apesar da absolvição, histórias como essa mostram que as prostitutas não estavam totalmente sós. Elas tinham a solidariedade de pessoas que se dispunham a testemunhar a seu favor: trabalhadores e donos de casas comerciais, colegas de meretrício, costureiras, cozinheiras, manicures, garçons. A inglesa Clara teve a ajuda de outra colega e do negociante, que a acompanharam ao Café Avenida.
Já com uma lógica comercial, elas valorizavam o direito de receber por seu trabalho. Por isso, não se envergonhavam de contar a todos quando sofriam uma injustiça e de ir à polícia em busca de reparação. É o que mostra o exemplo da russa Rosa Godemberg, que em 1909, ao receber de um cliente português uma nota aparentemente falsa de 120 mil-réis por um “programa” – ou “serviço”, como se dizia na época – de 40 mil-réis, saiu gritando pela Rua da Conceição que havia sido enganada.
A necessidade de recorrer à polícia é fruto da falta de uma regulamentação específica para essa atividade – algo que persiste até hoje. A partir do sumário-crime, a polícia e a Justiça assumem a responsabilidade de mediar as relações profissionais entre as prostitutas e seus clientes, atuando em favor daquelas que não receberam devidamente por seus serviços.
Numa época em que as mulheres começavam a deixar a vida privada e a sair de casa para trabalhar fora, a polícia precisava disciplinar os costumes nas áreas de meretrício para que fosse possível o convívio, no mesmo espaço público, entre as profissionais do sexo e as mulheres ditas “honestas”.
Ao mesmo tempo, a sociedade esperava que a polícia coibisse a ação dos cafetões. Eles costumavam ser encarados como os vilões do negócio da prostituição – algozes das mulheres que exploravam.
Em novembro de 1915, um russo, um francês e um brasileiro foram presos por cafetinagem. O jornal A Rua elogiou: “As primeiras prisões de cáftens (cafetões) efetuadas ontem pela polícia (...) foram uma bomba que arrebentou nos arraiais dos exploradores do lenocínio. Os cafés e bares onde habitualmente se reuniam tão nojentos indivíduos ficaram vazios. Durante toda a noite, era mais fácil encontrar libras esterlinas pelas ruas que os profissionais da infâmia (...) A polícia está fazendo o que prometeu”.
O destino da maioria dos cafetões estrangeiros presos era enfrentar um processo de expulsão do país baseado na Lei Adolfo Gordo. Criada em 1907 com o objetivo principal de reprimir operários estrangeiros que incitassem greves, ela também estabelecia o lenocínio como motivo para expulsão. A mudança no Código Penal em 1915, que intensificou a repressão ao tráfico e ao aliciamento de mulheres brancas, aumentou o número de cafetões a serem mandados para fora do país.
Quando eram presos, eles assumiam o papel de vítimas. Alegavam que sofriam perseguição pelo simples fato de serem estrangeiros. Ao serem presos, acusados de lenocínio, eles recorriam ao dispositivo jurídico do habeas corpus. Para consegui-lo, alegavam que residiam no país havia muito tempo e que aqui trabalhavam. Assim, valiam-se da própria Lei Adolfo Gordo, que negava a expulsão de quem já vivia aqui por mais de dois anos seguidos. Declaravam-se, então, cidadãos brasileiros.
Grande parte dos acusados, no fim do processo, não se encontrava mais nas prisões, o que nos faz pensar que já haviam sido expulsos do país. Foi o que aconteceu com cinco russos em 1917. Isaac Fiflick, Moyses Fiflick, Jacob Golberg, Samuel Revesck e Haimam Abraham foram presos e ameaçados de expulsão. Os acusados declararam-se residentes da Praia da Lapa e trabalhadores: dois ourives, dois comerciantes e um alfaiate. No fim do processo, o juiz declarou que eles não estavam presos.
Uma exceção foi o caso da costureira Nelli Vitte, em 1916, conhecida como Argentina, presa sob acusação de cafetinagem em sua casa, na Rua da Conceição. O advogado criminalista Evaristo de Morais assumiu sua defesa e conseguiu comprovar que ela vivia no Rio de Janeiro havia mais de dois anos, tinha uma profissão e nunca havia sido denunciada por lenocínio.
Estudioso das patologias sociais do Brasil, Evaristo de Morais se destacou, entre outras áreas, na defesa das prostitutas. Num ensaio que escreveu em 1921, vanguardista até para os padrões atuais, ele defendeu a regulamentação da profissão de meretriz. Propôs que a questão fosse tratada do ponto de vista da saúde pública e do direito do trabalhador, e não como um problema policial. “Quem conhece as dificuldades da vida dos proletários; quem sabe até que ponto a grande indústria moderna, explorando e desmoralizando a mulher trabalhadora, tende a destruir os elos e freios familiares, que está a par dos ‘salários de fome’, em especial aplicados ao trabalho feminino, não estranhará também a afirmativa de Fiaux dizendo que a prostituição deve ser considerada (e respeitada, acrescenta ele) na constituição atual das nossas sociedades contemporâneas como um fenômeno econômico, como sendo o complemento do salário insuficiente ou a falta absoluta de salário”, dizia Evaristo.
Parece que as ideias do advogado não foram ouvidas com atenção. Quase 90 anos após a publicação do seu ensaio, a prostituição continua a ser abordada no Brasil principalmente sob o aspecto da moralidade pública, e não como uma atividade econômica ou uma questão social. Enquanto isso, persistem a repressão policial, a exploração de mulheres, homens e crianças e a pobreza entre a maioria dos profissionais do sexo.

*Marina Maria de Lira Rocha é autora do artigo “Dos crimes contra fé pública aos crimes contra a segurança da honra e honestidade das famílias e do ultraje público ao pudor: visões sobre a prostituição entre 1907 e 1917” (em conjunto com Carlos Augustus Jourand).


Saiba Mais – Bibliografia  - Fonte: Biblioteca Nacional -

KUSHNIR, Beatriz. Baile de Máscaras – Mulheres judias e prostituição: as polacas e suas associações de ajuda mútua. Rio de Janeiro: Imago, 1996.
MENEZES, Lená Medeiros. Os estrangeiros e o comércio do prazer nas ruas do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1992.
PRIORE, Mary Del (org.). História das Mulheres no Brasil. São Paulo: Contexto, 1997.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Quando a morte é uma arte



Curiosidades sobre a morte, 15 fotos post-mortem -Fonte: História Digital

Cada povo, em determinado contexto histórico, manifesta sua cultura ou suas crenças de uma determinada maneira. Neste sentido, as fotografias post-mortem, feitas após a morte das pessoas, estão inseridas em um dado momento da história.

O que para nós parece bizarro, mórbido, às vezes até monstruoso, era algo comum para algumas famílias do século XIX. Assim, é importante cuidado ao julgar o passado com o olhar do presente. Em várias fontes pesquisadas, destaca-se este fato com um sensacionalismo exagerado.

Afinal, a morte é a coisa mais natural da vida, em qualquer momento histórico. Há, inclusive, uma frase em latim – memento mori (lembre-se que você é mortal) – que nos leva a pensar sempre na brevidade de nossa existência.
Confira, nesta postagem, por que estas fotos eram populares, onde e quando ocorriam com mais frequência e as técnicas utilizadas para dar ao morto um aspecto de vivo.
Esta lista foi extraída de uma série de fontes, como Imagens Históricas, Wikipedia, American Daguerreotypes.

A mulher no meio está morta, mas teve as pálpebras pintadas



- De acordo com alguns historiadores, as fotos post-mortem, capturadas após a morte, tiveram origem na Inglaterra, quando a Rainha Vitória pediu que fotografassem o cadáver de um parente, para que ela guardasse como recordação.
- Este tipo de foto se popularizou a partir do daguerreótipo – técnica de sucesso comercial e que reduzia o tempo da fotografia, criada por Louis Jacques Mandé Daguerre. Sua criação, em 1839, tornou os retratos acessíveis, principalmente para as famílias menos ricas.
- Foram mais comuns no século XIX, durante a Era Vitoriana, quando as mortes ocorriam em casa e faziam parte do cotidiano. Eram mais comuns as fotos de crianças mortas, pois a mortalidade infantil era elevada neste período.
- Neste período, a expectativa de vida de um homem de classe média ou alta era de 44 anos. 57 em cada 100 crianças, que nasciam dentro da classe trabalhadora, faleciam antes de completar cinco anos. Os defuntos e funerais eram mais comuns do que atualmente.
- De acordo com Mary Warner Marie, este tipo de foto foi mais frequente durante as primeiras décadas da fotografia, entre clientes que optavam por capturar a imagem de um ente querido para lembrar nos anos seguintes. Era uma forma de trazê-los de “volta à vida” e diminuir a dor do luto.

Estaca utilizada para sustentar em pé o corpo do falecido.



- As primeiras fotos post-mortem focavam no rosto do morto ou capturavam o corpo inteiro, raramente mostrando o caixão. O morto geralmente aparentava estar dormindo, mas algumas famílias preferiam uma aparência mais vívida.
- Crianças geralmente pareciam estar em repouso, muitas vezes posando com seus brinquedos favoritos. Em alguns casos, um membro da família aparecia junto, sendo mais frequente as mães. Em contrapartida, adultos ou membros mais velhos apareciam em cadeiras, ou mesmo em pé.
- Para fazer o corpo ter aparência vívida, eram utilizadas várias técnicas. Dentre elas, a pintura de pálpebras após a impressão da foto e a utilização de maquiagem forte. Para fazer fotos em que o morto está em pé, eram utilizados estacas de sustentação.
- Muitas vezes, as fotos post-mortem eram tiradas durante os enterros, com os familiares em volta do caixão. Isto ocorria quando a família do morto não possuía dinheiro o suficiente para pagar um estúdio fotográfico.
- A prática da fotografia post-mortem perdeu popularidade no final do século XIX, principalmente após a criação das fotos instantâneas. No entanto, ainda existem alguns exemplares de fotos tiradas no decorrer do século XX.

A moça em pé está morta, em estado de rigor mortis

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